4/02/2004

2 de Abril - Dia Internacional do Livro Infantil

Desde 1967, o Dia Internacional do Livro Infantil comemora-se a 2 de Abril, dia em que nasceu Hans Christian Andersen (1805-1875), consagrado escritor dinamarquês, autor dos mais conhecidos contos infantis. Esta comemoração tem como objectivos fundamentais "inspirar o amor à leitura e chamar a atenção para os livros infantis." (in IBBY).
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2012

Este ano a mensagem veio da
Leer, secção mexicana do IBBY.

Poster ilustrado por Juan Gedovius e mensagem de Francisco Hinojosa 
ambos nascidos na Cidade do México. 
TEMA : Once upon a time, there was a story that the whole world told   (ver os temas dos anos anteriores)

MENSAGEM DE 2012:

«Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro. Na verdade não era só um, mas muitos os contos que enchiam o mundo com as suas histórias de meninas desobedientes e lobos sedutores, de sapatinhos de cristal e príncipes apaixonados, de gatos astutos e soldadinhos de chumbo, de gigantes bonacheirões e fábricas de chocolate. Encheram o mundo de palavras, de inteligência, de imagens, de personagens extraordinárias. Permitiram risos, encantos e convívios. Carregaram-no de significado. E desde então os contos continuam a multiplicar-se para nos dizerem mil e uma vezes: “Era uma vez um conto que contava o mundo inteiro…”

Quando lemos, contamos ou ouvimos contos, cultivamos a imaginação, como se fosse necessário dar-lhe treino para a mantermos em forma. Um dia, sem que o saibamos certamente, uma dessas histórias entrará na nossa vida para arranjar soluções originais para os obstáculos que se nos coloquem no caminho.
Quando lemos, contamos ou ouvimos contos em voz alta, estamos a repetir um ritual muito antigo que cumpriu um papel fundamental na história da civilização: construir uma comunidade. À volta dos contos reuniram-se as culturas, as épocas e as gerações, para nos dizerem que japoneses, alemães e mexicanos são um só; como um só são os que viveram no século XVII e nós mesmos, que lemos um conto na Internet; e os avós, os pais e os filhos. Os contos chegam iguais aos seres humanos, apesar das nossas grandes diferenças, porque no fundo todos somos os seus protagonistas.
Ao contrário dos organismos vivos, que nascem, reproduzem-se e morrem, os contos são fecundos e imortais, em especial os da tradição oral, que se adequam às circunstâncias e ao contexto do momento em que são contados ou rescritos. E são contos que nos tornam seus autores quando os recontamos ou ouvimos.
E também era uma vez um país cheio de mitos, contos e lendas que viajaram durante séculos, de boca em boca, para mostrar a sua ideia de criação, para narrar a sua história, para oferecer a sua riqueza cultural, para aguçar a curiosidade e levar sorrisos aos lábios. Era igualmente um país onde poucos habitantes tinham acesso aos livros. Mas isso é uma história que já começou a mudar. Hoje os contos estão a chegar cada vez mais aos lugares distantes do meu país, o México. E, ao encontrarem os seus leitores, estão a cumprir o seu papel de criar comunidades, de criar famílias e de criar indivíduos com maior possibilidade de serem felizes.

Francisco Hinojosa (trad. Maria Carlos Loureiro)

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 O Cartaz português é de Yara Kono, premiada o ano passado pelas ilustrações do livro O Papão no Desvão, um "picture book" com texto de Ana Saldanha, publicado pela Caminho. (fonte)



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2011
O LIVRO RECORDA por Aino Pervik “Quando Arno e o seu pai chegaram à escola, as aulas já tinham começado.” No meu país, a Estónia, quase toda a gente conhece esta frase de cor. É a primeira linha de um livro intitulado Primavera. Publicado em 1912, é da autoria do escritor estónio Oskar Luts (1887-1953)> > . Primavera narra a vida de crianças que frequentavam uma escola rural na Estónia, em finais do século xix. O Autor escrevia sobre a sua própria infância e Arno, na verdade, era o próprio Oskar Luts na sua meninice. Os investigadores estudam documentos antigos e, com base neles, escrevem livros de História. Os livros de História relatam eventos que aconteceram, mas é claro que esses livros nunca contam como eram de facto as vidas das pessoas comuns em certa época. Os livros de histórias, por seu lado, recordam coisas que não é possível encontrar nos velhos documentos. Podem contar-nos, por exemplo, o que é que um rapaz como Arno pensava quando foi para a escola há cem anos, ou quais os sonhos das crianças dessa época, que medos tinham e o que as fazia felizes. O livro também recorda os pais dessas crianças, como queriam ser e que futuro desejavam para os seus filhos. Claro que hoje podemos escrever livros sobre os velhos tempos, e esses livros são, muitas vezes, apaixonantes. Mas um escritor actual não pode realmente conhecer os sabores e os cheiros, os medos e as alegrias de um passado distante. O escritor de hoje já sabe o que aconteceu depois e o que o futuro reservava à gente de então. O livro recorda o tempo em que foi escrito. A partir dos livros de Charles Dickens, ficamos a saber como era realmente a vida de um rapazinho nas ruas de Londres, em meados do século xix, no tempo de Oliver Twist. Através dos olhos de David Copperfield (coincidentes com o olhar de Dickens nessa época), vemos todo o tipo de personagens que ao tempo viviam na Inglaterra — que relações tinham, e como os seus pensamentos e sentimentos influenciaram tais relações. Porque David Copperfield era de facto, em muitos aspectos, o próprio Charles Dickens; Dickens não precisava de inventar nada, ele pura e simplesmente conhecia aquilo que contava. São os livros que nos permitem saber o que realmente sentiam Tom Sawyer, Huckleberry Finn e o seu amigo Jim nas viagens pelo Mississippi em finais do século xix, quando Mark Twain escreveu as suas aventuras. Ele conhecia profundamente o que as pessoas do seu tempo pensavam sobre as demais, porque ele próprio vivia entre elas. Era uma delas. Nas obras literárias, os relatos mais verosímeis sobre gente do passado são os que foram escritos à época em que essa mesma gente vivia. O livro recorda *Tradução: José António Gomes (João Pedro Messeder)

*A Mensagem do Dia Internacional do Livro Infantil é uma iniciativa do IBBY (International Board on Books for Young People), difundida em Portugal pela APPLIJ (Associação Portuguesa para a Promoção do Livro Infantil e Juvenil), Secção Portuguesa do IBBY. Todos os anos cabe a um país membro a criação da mensagem e do poster e nesta edição de 2011 foi a vez da Estónia. A mensagem é da escritora Aino Pervik e o poster é da autoria de Mildebergius famoso pintor e ilustrador estoniano >.
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Poster de Peter Cisárik e mensagem da Ján Uliciansky : "The destiny of books is written in the stars "~"O destino dos livros está escrito nas estrelas" -2006
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"Books Are My Magic Eyes" ~ "Os Livros são os meus Olhos Mágicos" - 2005 (ano da comemoração do bicentenário do nascimento de Hans Christian Andersen )

«Há muito, muito tempo, vivia na Índia Antiga um rapaz chamado Kapil. Além de gostar muito de ler, era extremamente curioso. tinha a cabeça cheia de perguntas. Por que motivo o Sol era redondo e por que mudava a Lua de forma? Por que cresciam tanto as árvores? E por que razão as estrelas não caiam do céu?
Kapil procurava as respostas em livros de folha de palmeira escritos por homens sábios. E lia todos os livros que encontrava.
Ora um dia estava Kapil ocupado a ler quando a mãe lhe deu um embrulho e disse:"Arruma o livro e leva esta comida ao teu pai. Já deve estar cheio de fome."
Kapil levantou-se com o livro na mão e fez-se ao caminho. Enquanto percorria o duro e acidentado trilho que atravessava a floresta, não parava de ler. De súbito o pé bateu numa pedra. Tropeçou e caiu. Logo um dedo começou a sangrar. Kapil ergueu-se do chão e continuou a caminhar e a ler, com os olhos colados ao livro. Não tardou a bater noutra pedra e, uma vez mais, estatelou-se. Desta feita doeu-lhe ainda mais, mas o texto escrito em folha de palmeira fê-lo esquecer as feridas.
De repente, um clarão surgiu e ouviu-se um riso melodioso. Kapil levantou os olhos e deparou com uma formosa senhora, vestindo um sari branco. Ela sorria e uma auréola de luz rodeava-lhe a cabeça. Estava sentada num cisne branco e gracioso. Numa das mãos trazia um luminoso rolo de pergaminho. Com outras duas segurava um instrumento de cordas chamado veena. Estendeu a quarta mão para o rapaz e disse:"Meu filho, estou impressionada com a tua sede de conhecimento. Quero dar-te uma recompensa. Qual é o teu maior desejo?"
Kapil pestanejou de espanto. Diante dele encontrava-se Sarawasti, a deusa do estudo. No instante seguinte, o rapaz cruzou as mãos, fez uma vénia e murmurou: "Por favor, Deusa, dá-me um segundo par de olhos para os pés, a fim de que eu possa ler enquanto caminho."
"Assim seja"- e a Deusa abençoou-o. Tocou na cabeça de Kapil e a seguir desapereceu entre as nuvens.
Kapil olhou para baixo.Um segundo par de olhos brilhava-lhe nos pés e ele deu um salto de alegria. Logo a seguir, fixou os olhos no livro e desatou a caminhar pela floresta, apenas conduzido pelos seus pés.
Graças ao amor pelos livros, Kapil cresceu e tornou-se um dos sábios mais ilustres da Índia. Em toda a parte era conhecido pela sua imensa sabedoria. Também lhe puseram outro nome Chakshupad, que em sânscrito significa"aquele cujos pés tem olhos.»
 MANORAMA JAFA(tradução José António Gomes)
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  • International Children's Book Day - No site do IBBY (International Board on Books for Young People). Entre muitas outras informações encontra-se a lista dos temas para cada dia Internacional do Livro Infantil desde 1995 - «Each year a different National Section of IBBY has the opportunity to be the international sponsor of ICBD. It decides upon a theme and invites a prominent author from the host country to write a message to the children of the world and a well-known illustrator to design a poster. These materials are used in different ways to promote books and reading. (...)»- assim como as mensagens e a reprodução dos posters dos anos anteriores (<http://www.ibby.org/index.php?id=281 >.
Ver também: